Já fazem alguns anos que venho tentado aprender certas coisas que minha mãe diz desde que eu era uma criancinha. Não sei, talvez por ela querer me proteger de futuras feridas, ela sempre me disse que as pessoas dão o que podem de si, e sempre seria uma pretensão do ser humano querer ser a coisa mais importante na vida de outra pessoa.
Tu também foi meu amor mais puro. O mais leve, o mais legal, e ao mesmo tempo, o mais intenso. Eu amei você. Amei não, amo. Amo de uma forma que parece faltar um pedaço de mim ao pensar que minha rotina não terá mais você.
Amor é tipo um vício. Quando acaba, ou quando tem que acabar, é uma série de coisas que precisam ser modificadas para que nosso êxito seja alcançado. Mas assim como não quero parar com o cigarro, com a cerveja... eu não quero parar com o amor, com o nosso amor. Não queria, ao menos. Acho que agora, diante de tanta dor, diante de um cinza, de uma comida sem gosto, de um perfume sem fragrância, de uma respiração sem suspiros e que parece me machucar, eu não tenho outra alternativa.
Acho que na verdade, como vi uma vez pichado em um muro dessa Brasília, "os opostos de distraem e dispostos se atraem". Não tem um jeito certo pra amar. Não existe um "quem ama faz tal coisa". Cada um ama como pode, a medida que suas experiência lhe ensinam coisas ou trazem cicatrizes. Cada um dá de si o que pode. E acho que aí que reside a beleza do amor. Mais que sentimento, amor é uma doação recíproca. Sempre vai ser um "abdicar da zona de conforto" em nome do "estar juntos". Sempre será, em algum grau, a apreciação dos defeitos mais irritantes da pessoa amada.
Não quero com isso dizer que eu fui compreensiva todo tempo. Nem dizer que... eu tô certa. Droga, eu sou orgulhosa, eu não gosto e tenho muitas dificuldades de assumir meus erros, especialmente quando contrariada, acuada ou quando me acusam de uma forma injusta, sem nem saber o que penso ou fiz. Mas ponto é que o amor não é suficiente e o dispostos se atraem.
Eu não estava disposta pra ti, pois o meu "dar o que posso" é incompatível com o que precisas. Você não estava disposto por o seu "dar o que posso" não ser o que eu queria. A gente errou. A gente não se comunicou. No nosso contexto, muito mais por falhas minhas, mas que eu não sei nem se chegam a ser falhas, visto o que eu mesma já passei e as lições que aprendi com tudo que vivi antes de você ser parte da minha vida.
Eu repito: Te amo, e isso não muda. Me desculpa, mas a gente não estava disposto.
Me desculpa, eu não queria ter te machucado. Fica bem.