Sabe, a frase do título desse post foi-me dita por um alguém muito querido. E tal frase me fez pensar em inúmeras situações que tenho vivido ultimamente, desde gente me dizendo pra "fazer um curso que dê futuro e passar num concurso" até o clássico "se você for boa e idealista sempre, não conseguirá nada na política. Não não política 'real', ao menos".
Eu fico pensando (e por consequência, me deprimindo) na mentalidade medíocre dos céticos acerca da capacidade do ser humano de ser bom. Ouvi de tantas pessoas tantas vezes que "somos malvados e egoístas" por natureza que fiquei horrorizada. Poxa, a pessoa se conhece, e se tem um pingo de decência e altruímo dentro de si, ela terá a capacidade de dizer que as coisas não estão boas e que é preciso fazer o (im)possível por um mundo melhor, ajudando ao próximo em tudo que está ao nosso alcance.
Não sei se isso é viés de socióloga ou de uma sentimental canceriana, ou se não é viés de nada e apenas minha essência se indignando diante de tanta escrotice, mas o fato é que não dá para ver nosso Brasil com 95% de suas universidades/insitutos federais em greve e ver nossa querida presidentE(não sou estudantA, então pronto. Regra idiota) encomendando jatinhos e tocando as obras da copa a todo o vapor como se nada acontecesse. Não dá pra ver o caos em nossos hospitais, com pessoas se deteriorando e sendo marginalizadas pelo péssimo sistema se saúde que é o SUS (que só assim o é pelo repasse de verbas que entra em sua maioria para o bolso dos parlamentares safados que sempre elegemos) e seguir como se tod@s fossem felizes e bem tratados por nosso Estado.
Tem algo muito errado com o mundo e com as pessoas. E o pior é perceber que o que faz o mundo estar errado são as próprias pessoas, que se anulam ao seguirem o raciocínio egoísta, consumista, elitista, facista e tantos outros "ista" com sentido negativo que nos é imposto desde a hora em que nascemos. O mundo virou um lugar bizarro, onde o decente é o inocente, e o correto é o bobo, onde o bom é o otário.
Mas mesmo com todo esse cenário triste, eu acho que o meu papel como uma cidadã pertencente a uma sociedade é de me indignar e lutar por mudanças. Não é algo fácil, mas é o correto, e o que obviamente (e urgentemente) precisa ser feito. Se esse trabalho não iniciar-se em algum ponto, ele nunca terá um final, e eu realmente não tenho medo de passar a minha vida lutando por um mundo do qual eu não farei parte, mas meus filhos, netos e bisnetos sim. E eles, não só por serem meus (futuros) descendentes, mas sim por estarem na condição de ser humano, tornando-se portanto meu semelhante ao qual eu devo preservar o bem estar, merecem essa luta. E mais do que isso: precisam dela e precisam de alguém que lhes ensine esses valores.
Não quero muito dessa vida. Luxo, dinheiro status... essas coisas podem ser muito sedutoras e gostosas de se viverem, mas eu tenho muito claro em minha mente que "o que se leva dessa vida é a vida que a gente leva". Quero a felicidade, o amor, a amizade e o sorriso franco. Qualquer coisa que fuja muito desse padrão não é vital.
Ainda acredito no poder da solidariedade e da visão política mais bonita que já, que se designa por humanismo. Acredito no potencial do trabalho social e do movimento social. Na capacidade da multidão, quando indignada, derrubar presidentes corruptos e ditadores assassinos da liberdade e da vida. Acredito no poder transformador da sociologia, da filosofia, do estudo da história e da educação como um todo. Acredito que o mundo precise desse texto, ainda que não venha a ser dos melhores. Acredito que N pessoas precisam da minha parte.
E se você acha tudo isso bobagem, perda de tempo, eu reescrevo em negrito o título desse post. Idiotice é não crer em nada.